Fim da taxa das blusinhas: como o e-commerce nacional anuncia contra o importado isento


Fim da taxa das blusinhas: como o e-commerce nacional anuncia contra o importado isento
O fim da taxa das blusinhas não muda o que você vende. Muda contra quem o seu anúncio compete. Com o importado de até US$ 50 chegando sem o imposto federal de 20%, disputar palavra-chave de preço e usar "o mais barato" como argumento passou a ser a estratégia mais cara possível. O ajuste correto em Google Ads e Meta Ads é sair do eixo preço e anunciar o que o importado não entrega: prazo, troca, garantia e atendimento. Este artigo mostra como fazer isso na prática, campanha por campanha.
O que exatamente foi aprovado?
A Câmara aprovou a Medida Provisória 1357/26, que permite zerar o Imposto de Importação sobre compras internacionais de até 50 dólares. A MP foi aprovada em seguida pelo Senado e segue para sanção. A proposta também permite reduzir de 60% para até 30% o imposto sobre compras entre US$ 50 e US$ 3.000. Na prática, a isenção não é novidade: ela vigora desde maio, e a votação apenas garantiu que ela não caísse. Câmara aprova MP que acaba com a "taxa das blusinhas" - Portal da Câmara dos Deputados
Dois pontos importam para o lojista. Primeiro, o ICMS estadual continua incidindo sobre essas compras, conforme regra de cada estado — o importado não ficou "sem imposto", ficou sem o imposto federal. Segundo, o texto prevê que o Ministério da Fazenda faça avaliações periódicas sobre os efeitos econômicos das importações simplificadas, o que significa que o cenário pode ser revisto. Planeje para o cenário atual, não para o que pode voltar. Via Certa NatalCâmara dos Deputados
Por que competir em preço agora é um erro de mídia?
Porque o leilão de anúncio pune quem compete em atributo que o concorrente entrega melhor. Quando o seu anúncio promete preço e a pessoa encontra o mesmo item mais barato na plataforma estrangeira, você paga o clique e perde a venda. O CPC não cai porque você perdeu; a conversão é que cai. O resultado aparece no relatório como "CPA subiu", mas a causa está no posicionamento, não na configuração.
Há um segundo efeito, menos visível: intenção de busca genérica ficou mais poluída. Termos como "vestido feminino barato" ou "fone bluetooth" agora atraem uma parcela maior de gente que vai comparar com o importado antes de comprar. Cada clique desse perfil vale menos para o lojista nacional do que valia antes.
Quais produtos do meu catálogo estão na zona de risco?
Os que custam até a faixa de US$ 50 e são facilmente substituíveis. Faça esse corte antes de mexer em qualquer campanha:
Faixa do produto | Exposição ao importado isento | Como tratar na mídia |
Item genérico até ~US$ 50 (roupa básica, acessório, eletrônico simples) | Alta | Reduzir verba em campanha de busca genérica; anunciar em conjunto, kit ou com argumento de prazo |
Item até ~US$ 50 com diferencial claro (marca própria, personalização, tamanho/caimento nacional) | Média | Manter, mas trocar o argumento do anúncio de preço para diferencial |
Item acima de US$ 50 ou com peso/volume alto (calçado, casa, decoração grande) | Baixa | Seguir normalmente; frete internacional e tempo de entrega já protegem |
Reposição, urgência, presente com data | Baixa | Reforçar — ninguém espera 20 dias por um presente de sexta |
O objetivo do corte é simples: a verba que hoje briga por clique genérico de item de alta exposição migra para onde o argumento nacional pesa mais.
Como ajustar o Google Ads?
Em campanhas de Pesquisa, reveja os termos de pesquisa das últimas quatro semanas e marque tudo que contém "barato", "promoção", "mais barato", "preço" combinado a produto genérico. Não negative tudo de uma vez — negative onde a taxa de conversão já vinha abaixo da média da conta. Em paralelo, crie grupos de anúncio para termos de intenção que o importado não atende: "entrega rápida", "pronta entrega", "troca fácil", "loja brasileira", nome da sua marca.
No Shopping e no Performance Max, o ponto de ataque é o título do produto e o preço exibido. Se o seu preço vai aparecer ao lado de um importado mais barato, o título precisa carregar o diferencial ("entrega em 2 dias", "algodão nacional", "garantia de 1 ano") e o feed precisa ter o frete grátis ou o prazo configurado como anotação. Anúncio de Shopping sem anotação de frete e prazo, contra importado isento, é anúncio pela metade.
E no Meta Ads?
O Meta é onde a briga se ganha, porque ali o criativo faz o argumento antes do preço aparecer. Três ajustes:
Troque a primeira frase do criativo. Se hoje ela fala de preço ou desconto, passe a falar de prazo e segurança: "Chega antes do fim de semana", "Trocou de ideia? Troca grátis em 30 dias" (só prometa o que a sua política já cumpre).
Mostre gente real e produto real. O importado vende com foto de catálogo. Foto de cliente, vídeo de unboxing e prova social de brasileiro são o contraste mais barato que existe.
Remarketing com objeção. Quem visitou e não comprou provavelmente foi comparar. Faça o anúncio de remarketing responder a isso diretamente: prazo, nota fiscal, atendimento por WhatsApp, troca.
Como medir se o ajuste funcionou?
Não pelo ROAS agregado. Compare, por faixa de produto da tabela acima, custo por compra e margem de contribuição antes e depois do ajuste. O que se espera ver: queda de gasto nos itens de alta exposição, manutenção ou melhora de conversão nos itens protegidos, e ticket médio subindo se você passou a anunciar kits. Se o ROAS geral cair mas a margem total subir, o ajuste está certo. Se você quer entender por que o ROAS às vezes engana, veja também [ROAS caiu de repente: o que verificar antes de mexer no orçamento] e [Quanto investir em anúncios no e-commerce: como calcular a verba].
Perguntas frequentes
O importado ficou totalmente sem imposto?
Não. A isenção é do imposto federal de importação sobre remessas de até US$ 50. O ICMS estadual continua sendo cobrado, conforme a regra de cada estado.
Devo baixar meu preço para competir?
Só se a sua margem permitir sem quebrar a operação — e, em produto genérico de baixo valor, dificilmente permite. A recomendação é competir em atributos onde a loja nacional vence: prazo, troca, garantia e atendimento.
Preciso pausar as campanhas de produtos até US$ 50?
Não necessariamente. Pause ou reduza onde a conversão já estava fraca em termos de preço. Onde há diferencial, mantenha e troque o argumento do anúncio.
Isso vale para Shopee, Mercado Livre e marketplaces também?
O princípio vale: o comprador compara. A diferença é que nos marketplaces você controla menos o argumento, então a fotografia, o título e a política de troca do anúncio pesam ainda mais.
A regra pode mudar de novo?
Pode. O texto aprovado prevê avaliações periódicas dos efeitos econômicos. Por isso a estratégia não deve depender do imposto voltar — deve funcionar com ele zerado.
Quer ajuda para reposicionar suas campanhas?
A Athenis faz gestão de mídia paga para e-commerce e pode revisar sua conta de Google Ads e Meta Ads com esse recorte de exposição ao importado. Fale com a gente pela página de serviços do site.



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